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segunda-feira, 8 de novembro de 2010

A menina que brincava com as palavras

Por Fabiana Barboza

Autor: Fabiano dos Santos
Ilustrador: Daniel Diaz
Editora: Cortez


A menina que brincava com as palavras trata-se de uma deliciosa brincadeira literária de Fabiano dos Santos. É possível destacar na obra não apenas sua qualidade literária, mas a importância da literatura, já que o autor apresenta um texto cheio de encantamento por ela, incentivando o leitor a deliciar-se com as palavras, a mergulhar no fantástico mundo da literatura.

Esse mundo apresentado pelo autor no texto oferece uma conexão entre a imaginação e a realidade. Na verdade, a imaginação está presente todo o tempo na vida “real” da menina do texto, Ana. É por meio da forma como Ana vê a presença da literatura no mundo que o convite para o leitor entrar ou trazer literatura para sua vida é feito.

Outro aspecto importante explorado pelo autor é a necessidade de a literatura estar presente na vida não apenas das crianças letradas, mas de todas elas, inclusive na dos bebês. Presença que se faz pela contação de histórias e pelo contato das crianças pequenas com as imagens, os sons, os cheiros, enfim, pelo contato com o mundo que as cerca.

Também é possível explorar, a partir do texto, a ideia de que as palavras nos levam a mundos desconhecidos. Por meio delas, podemos entrar em contato com coisas novas. Essa parte do texto é bastante poética, já que o autor estabelece a relação entre as palavras e o nascimento dessas coisas novas para os leitores.

O texto ainda pontua a força que as palavras têm. Trata-se de apresentá-las como base para as histórias, as decisões, a forma de encarar os problemas existentes e também os sentimentos que surgem quando entramos em contato com os vocábulos presentes no mundo.

O autor foi muito feliz ao inserir no texto as possibilidades de trabalhar as palavras com as crianças que ainda não dominam a língua portuguesa, sobretudo quando apresenta as palavras que podem ser escritas a partir da palavra paralelepípedo, os significados que uma mesma palavra pode ter (como manga — de camisa ou a fruta —, folha — papel ou planta —, etc.) e a orientação espacial da leitura (quando fala em ler as palavras de trás para frente ou na frente do espelho). O interessante é que tais alternativas não estão didatizadas no texto, o autor conseguiu manter o encantamento literário também nesses trechos.

Está presente no texto o estímulo à ação de escrever. Tal ação também é apresentada de forma poética no livro, já que o autor estabelece uma conexão entre o silêncio e a contemplação de folhas de papel em branco. Da mesma forma, trata do ato de escrever como a ação de povoar o vazio com um poema.

É possível perceber a sincronia que existiu entre o autor e o ilustrador, a exemplo da ilustração que representa diversas palavras: palavra solta no ar — vento; palavra fisgada no anzol — peixe; palavra plantada no chão — flor; etc. O ilustrador Daniel Diaz manteve o equilíbrio entre a descrição, a imaginação e a poesia em suas ilustrações, o que torna ainda mais prazerosa a leitura da obra.
Enfim, A menina que brincava com as palavras é um livro bem estruturado e que deve ser trabalhado com crianças das mais variadas idades e (por que não?) com adultos que se encantam com o poder da literatura.





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